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Nossa história

A musicoteca foi idealizada em 2003 por Web Mota, mineiro recém-chegado em São Paulo com seus 18 anos e a democratização do universo da internet no Brasil nessa época. No blog era possível encontrar resenhas e downloads de novos álbuns de artistas independentes e autorais brasileiros que enviavam suas obras para audição e publicação.

Com o passar dos anos, o blog foi crescendo e tendo cada vez mais demandas de acessos e artistas buscando espaço para lançar seus trabalhos. Assim, o que era uma atividade de prazer foi tomando conta do cotidiano de seu fundador, que passou a se dedicar totalmente ao espaço e à pesquisa musical. Com o apoio de um corpo de colaboradores, houve um aumento contínuo de lançamentos e de novos projetos, como a Coletânea Re-Trato, que comemorou os 15 anos de carreira do Los Hermanos, e um tributo ao grande compositor de muitas gerações, Antonio Marcos.

Com a chegada do stream, a musicoteca entrou em declínio e perdeu-se no momento de se reinventar como espaço de compartilhamento de música. Nesses últimos anos a plataforma passou por uma depressão e teve que se ressignificar, compreender e dialogar com as necessidades da produção e difusão da cultura brasileira por meio da música.

Em 2019 as coisas se ajeitam com a ajuda de muitos parceiros, artistas, amigos, colaboradores e pesquisadores que têm nos auxiliado nessa direção. Hoje somos uma plataforma focada na distribuição, lançamento e geração de conteúdo educativo e crítico em relação à música atual.

O revolucionário dia que resgatei o colar do Chico César

Foto: Michele Alves

No dia 2 de novembro de 2019, no Circo Voador, durante o show de lançamento de seu novo álbum, O Amor É Um Ato Revolucionário, o colar que Chico César usava caiu no palco próximo à borda. Eis que, sem nenhuma vergonha na cara, um cidadão de bem aproxima-se do palco, pega o colar e o veste tranquilamente, como um troféu. Com orgulho, volta pomposo em direção à sua acompanhante e mostra o feito mas claramente sem assumir – para si mesmo primeiramente – o ato desonesto que acabara de cometer.

Começa um burburinho ao redor sobre o acontecido, quando percebo que a maioria dos comentários vinham de mulheres, que como eu, externalizavam suas indignações. Senti-me muito empoderada por estar naquele lugar e sem pensar duas vezes, fui até o cidadão de bem e dei um tapinha em seu ombro. Ele me olhou sem entender e eu me fiz entender rapidinho: “Cara, me devolve o colar” e estendi a mão. Pouco desconcertado, mas mantendo sua altivez, ele disse que era emprestado e devolveria no final do show. Não desisti e falei calmamente: “não, você vai me devolver agora”. Ele pensou uns segundos e me perguntou se eu era da produção, eu disse que não e ele falou que só devolveria para a produção. Não hesitei em concordar com um sorriso irônico e olhando em seus olhos. De onde estávamos, que era em frente ao palco, olhei para a coxia e como mágica uma pessoa da produção também me olhou. Com aquela música toda era impossível ele me ouvir e falei sem emitir sons e com gestos: “caiu o colar do Chico” e o cara da produção: “cadê?” E eu apontei lindamente para o colo do cidadão de bem que estava parado à minha direita sem acreditar no que estava acontecendo. O cara da produção pediu o colar de volta e o cidadão de bem devolveu, entregando junto parte da sua arrogância.

Quando voltei ao meu lugar, a mulherada que estava indignada e me potencializou, veio me cumprimentar. Olhei cada uma de volta, apertando suas mãos, e dizendo um sonoro: “não passarão”. E parecendo roteiro de filme, nessa hora estava tocando: “Mas nós temos a pedrada pra jogar / A bola incendiária está no ar / Fogo nos fascistas / Fogo, Jah”
Esse colar foi um ato revolucionário.

Música que chama pra brincar

Eles começaram contando histórias e nelas a música, cada vez mais presente, ajudava a abrir portas para o encantamento. Essa presença foi ganhando espaços e se espalhou de um jeito que as histórias viraram canções. Assim nascia a OssoBanda, pra cantar e encantar todas as idades.

Composta pela vocalista Teresa Saci, o baixista Marcelo dos Anjos, Erickson Freitas na guitarra e Esdras Cabral na bateria, a banda paulista tem feito grandes e pequenos balançarem o esqueleto! E ter participado de um Festival de Rock – porque esse ritmo é a marca do som da banda – resultou no nome escolhido: OssoBanda! Que tem o Ossinho como mascote!

Desde 2013, o grupo vem agitando mais e mais lugares, atraindo gente de todas as idades com suas canções cheias de poesia, belas melodias e uma contagiante alegria. Os arranjos são bem pensados e consideram a importância de trazer o melhor para a criança ouvir, brincar e se movimentar em diferentes ritmos. A palavra, trabalhada plasticamente em suas muitas possibilidades de composição e de construção de sentidos, vira brinquedo ou brincadeira por meio de diferentes recursos: repetição de sons, rima, agrupamentos inusitados de palavras entre outros.

Então, quando a música começa, é dada a largada para a diversão. É o que acontece em “Bonde da OssoBanda”, quando a batida irresistível do rock chama pra dançar e cantar “Quero ver ficar parado/ quero ver ficar quieto/ é o bonde da OssoBanda/ balançando o esqueleto”.

Já na suave canção “Maria Fumaça”, o ritmo é outro. Lembra o movimento do trem, ora mais lento, ora mais rápido (“O nome é de menina, maria fumaça/ saindo da praça…/ chique chique, o que é que tem/ depois da curva da montanha?”). A construção dos versos brinca com a sonoridade das palavras além de aguçar a curiosidade e a imaginação: o que pode haver pra lá da montanha? O que cada um quiser! Outros versos ainda desconstroem o lugar-comum: “sim salabim, tem gato comendo capim/ como pode, como pode/ pedaço de gente com pedaço de bode/ cachoeira correndo pra cima/ lobo bom porco mau/ urubu fazendo sarau”. Além de divertidas e inusitadas, essas imagens permitem outro olhar, outro jeito de entender e de fazer as coisas. Afinal, que graça tem receber tudo pronto ou ver tudo sempre igual?

Outra super sacada da banda foi a escolha da palavra “sábado” em “Hoje é sabadábado”. A canção brinca com a montagem da palavra, sugerindo que esse dia da semana é dia de ficar à vontade, de fazer o que quiser, até mesmo reinventar a própria palavra: “ficar dois dias inteiros com a mesma roupa/ porque hoje é sábado/ badabado/ badabado, badá/ hoje é sábado”.

Esse cuidado e respeito em relação ao universo da infância traduz o entendimento da importância da música na vida desse público. Entre seus inúmeros benefícios, ela ativa a curiosidade e a imaginação, diverte e emociona. Por isso, vale trazer diferentes gêneros e estilos musicais para que a criança conheça, possa transitar entre eles, apreciar e até se identificar mais com uns que com outros.

Assim, além de divertir, a OssoBanda cumpre a relevante função de ampliar o repertório sonoro e poético dos pequenos (e também dos grandes), o que torna sua produção artística ainda mais especial e merecedora de reconhecimento. Diante disso, dá pra ficar parado e quieto?

Tudo sobre a OssoBanda aqui ó: http://www.ossobanda.com.br

Artistas independentes e as percepções sobre plataformas digitais de distribuição de música

Realizar shows pela cidade, fazer uma performance semi-privada no quintal de casa, participar de shows de caridade, organizar turnês regionais, enviar versões de fitas demo para revistas/fanzines, ir a shows de outros artistas para um possível contato profissional, colar cartazes nos muros e nos postes das ruas, vender fitas cassetes e CD’s no porta-malas do carro ou em locais movimentados – como na saída de danceterias, e em postos de gasolina.

Estes eram alguns dos meios e estratégias que muitos artistas se utilizavam para tornar a música independente notada e consumida antes dos anos 2000. Uma das melhores chances de promoção era conseguir uma entrevista junto a um jornal, revista ou programa de TV.

Após a popularização de computadores domésticos, da conexão à internet e dos equipamentos de gravação, novos meios de promover o trabalho de artistas independentes rearranjaram as interações “face a face” de divulgação e venda de músicas – além de reconfigurarem as condições de negócios das grandes gravadoras. Com a disseminação de tecnologias digitais, os modos de produzir, ofertar e vender conteúdo musical foram atualizados.

Junto à internet, a música passou a ter a possibilidade de ser distribuída instantaneamente – através do formato MP3 no meio digital -, em ampla escala, e com custos mínimos. Ao artista foi possível divulgar seu trabalho em diversos canais (como fóruns e blogs), conhecer novos músicos e se relacionar de modo mais amplo com potenciais consumidores e fãs. Também lhe foi oportunizado montar seu próprio espaço/sua própria página junto às mídias sociais para a reprodução/venda/monetização de suas músicas.

A difusão da internet e de suas inúmeras e novas formas de se fazer conectar ao outro, de expressar identidades, de consumir formatos digitais de entretenimento, entre outras relações sociais mediadas por backbones, url’s e hardwares, foram produtivas para o surgimento de mídias sociais dedicadas ao campo musical.

Povoada por usuários das mais diversas localizações e interesses, a internet se torna, há duas décadas, um ambiente envolto por agremiações em que coletivos compartilham ideias e aspirações em comum.

Escrevo aqui sobre um desses grupos cibernéticos: o dos artistas independentes que buscam compartilhar suas produções, assim como expandir sua base de fãs. Mais especificamente abordo as percepções e as relações desses artistas com mídias sociais e serviços de música que destinam espaços para a promoção de conteúdo fora do circuito mainstream do entretenimento.

A música, o Myspace Music e o princípio da promoção profissional online

Criado no início dos anos 2000, o Myspace foi a primeira ferramenta online de grande expressão a auxiliar artistas independentes a promoverem seu trabalho, e a assistir aqueles que buscavam conhecer novos artistas e novos gêneros musicais.

Considerada por muitos a pioneira do formato “mídia social” – muito em razão de seu formato interativo que visa conectar usuários, e de sua popularidade junto ao público –, tal plataforma despertou a atenção de artistas que percebiam no Myspace um profícuo espaço não apenas de sociabilização, mas também de promoção de suas criações. Não por acaso.

Em janeiro de 2004, após seu primeiro mês online, o site atraiu mais de um milhão de pessoas, sendo a primeira mídia social a alcançar tal soma de usuários ativos em regularidade mensal. Em novembro do mesmo ano esse número subiu para 5 milhões de usuários. Em 2006 o Myspace foi considerado o site mais popular dos Estados Unidos: era responsável por quase 80% de todo o tráfego relacionado a redes sociais, sua base de usuários atingiu a notável marca de 100 milhões, e em 2007 possuía mais usuários do que o Facebook em diversos países.

Em meio ao crescente interesse de músicos ao formato interativo e popular da plataforma, surge o Myspace Music, um serviço mais estruturado e concentrado às necessidades daqueles que viviam o mundo da música – inclusive (e especialmente) artistas independentes. O formato digital dedicado aos interesses dos músicos foi uma das inovações mais atrativas da internet a quem buscava se promover artisticamente.

Em 2007, de acordo com estudo realizado por Dhar e Chang (2009), aproximadamente 80% dos músicos que lançavam um álbum possuíam um perfil no Myspace Music.

Os novos modelos de distribuição de música desencadeados pelo serviço eram também utilizados por gravadoras, que realizavam pré-álbuns em que os consumidores tinham a oportunidade de ouvir o conteúdo antes da data de lançamento – uma estratégia de “degustação”, e também uma manobra para tentar contornar (e se adaptar) o novo formato de consumo que o Napster, e demais programas de compartilhamento de arquivos, promovia.

Com configurações de rede social, o Myspace Music viabilizava a seus artistas o contato com fãs, e o acesso e/ou venda de suas músicas a um público potencialmente vasto a baixo custo. O aspecto interativo e social da mídia garantiu aos músicos espaço para o marketing profissional, possibilitando, também, a monetização através de publicidade e download.

O Myspace Music inaugurou potencialidades ao mercado musical independente: potencial de lucro, de ampla visibilidade, de amplo acesso ao trabalho independente, de colaborações profissionais, de (re)conhecimento de outros artistas, de expansão da criatividade, de expressões e produções de identidades, de comportamentos e estratégias de mercado.

A partir de 2008, questões burocráticas internas, a popularidade do Facebook e a emergência de outras plataformas dedicadas à música marcaram o início do declínio do Myspace. Mesmo com sua breve popularidade – apesar de pouco habitado, ainda se encontra ativo – o site deu aos adoradores da música novas oportunidades e métodos de se expressar, atualizando práticas e linguagens ao repertório da produção e circulação da música independente.

Artistas e suas percepções sobre serviços de distribuição de música independente

Na atualidade, as dinâmicas de divulgação da música independente permanecem, sobretudo, localizadas no campo online. Plataformas que, assim como o Myspace, dedicam espaço para a promoção de artistas protagonizam os meios estratégicos de publicidade por diversos músicos.

É claro que colar cartazes, distribuir flyers pelas ruas, e demais táticas de comunicar o trabalho “face a face” ainda são utilizadas, mas destaco aqui a relevância das plataformas digitais neste cenário, assim como algumas percepções de artistas sobre tais espaços.

Serviços como Soundcloud, Bandcamp, Spotify e Deezer são algumas das plataformas mais populares entre músicos independentes no Brasil. Junto a estes canais é possível enviar músicas e discografias que podem ser acessadas e compradas pelo público – viabilizando, por vezes, retorno financeiro.

Apesar das particularidades de integração artística que não agradam a todos os músicos – como a necessidade de inscrição junto a empresas de distribuição e/ou como os custos de assinaturas dos serviços – cada plataforma representa uma nova oportunidade de acessar o público. Por essa razão, a distribuição de produções independentes em dois ou mais serviços faz parte de uma estratégia de captação da atenção.

Tal distribuição pode ser gerida, também, por meio de ferramentas que realizam o upload de músicas em várias plataformas – conhecidas como “agregadores musicais”. A partir da adesão a um plano, o artista pode ter suas produções disponibilizadas em várias plataformas através de um serviço que concentra a difusão da música. Os mais populares agregadores são o Distrokid, o CD Baby e mesmo o Soundcloud que recentemente anunciou sua atuação como distribuidor.

Distribuir conteúdo a partir de uma única ferramenta faz parte de um processo de facilitação ao acesso ao entretenimento e de aproximação ao cliente proposto, sobretudo, pelas plataformas de streaming nos últimos anos. De acordo com Arthur da banda Mentecripta, a burocracia de alguns serviços o auxiliou na divulgação de sua música: 

“Percebi que ao assinar com a administradora de direitos autorais online OneRPM, com o objetivo de disponibilizar minha produção no Spotify e no Deezer, minha música não foi somente para essas duas plataformas, e sim para diversas outras em todo mundo (eles dão a lista dos apps em cada continente que sua música estará disponível, por exemplo Apple Músic, Youtube Music, são mais de 15).”

Estar em todo o lugar junto às plataformas é um modo de se fazer presente artisticamente, de potencialmente acessar milhares de pessoas apreciadoras de música que habitam tais serviços, construir uma base de fãs, um modo de vida.

Em contato realizado junto a artistas independentes, ouvi de um músico que distribuir conteúdo junto a diferentes serviços é como traduzir um livro para outros países: cada serviço teria seu idioma próprio, e seria inteligente traduzir o livro para línguas populares, como inglês e mandarim.

O paralelo realizado pelo interlocutor, entre serviços e idiomas populares, é pertinente. Habitar os espaços de divulgação através de tais plataformas é uma estratégia interessante, no entanto, quando a habitação é limitada surge um imperativo latente no que diz respeito ao “onde” distribuir conteúdo. A resposta é: Spotify. Não por acaso, o serviço, além de ser um dos mais populares na atualidade também propicia uma maior interação com outras redes sociais populares, como Instagram e Tinder.

Renato Judz da banda Estive Raivoso relata que, apesar de utilizar o Soundcloud por 4 anos, percebeu uma ampliação de seu público após as 2 primeiras semanas em que disponibilizou sua produção junto ao Spotify. De acordo com o músico, sua base de fãs, geralmente limitada a amigos, se tornou mais heterogênea – não restrita ao círculo social habitual da banda – em razão da adesão a tal serviço de streaming.

Isso não significa que o artista independente que deposite seu trabalho no Spotify – ou em quaisquer outras plataformas – integrará a lista de pessoas mais ricas da Forbes no ano seguinte. Longe disso. Aliás, é muito mais provável que o retorno financeiro não seja expressivo. Contudo, como me aludiu um músico: “não usar o Spotify é como não colocar rodas em um carro: ele não avançará e, se avançar, você é uma força da natureza”.

Se você não é uma “força da natureza”, as plataformas atuarão muito mais como mediadoras de uma possibilidade do que como a possibilidade em si. Muitos artistas as percebem muito mais como um investimento do que uma ferramenta lucrativa imediata. Um investimento de marketing, uma ferramenta que consegue dar visibilidade e organizar o acesso do público à música – por exemplo, os serviços oferecem um destino online para que os fãs interajam com o conteúdo após um show.

Por fim, é possível identificar o potencial que as plataformas têm de atuar como propulsoras da promoção artística, remodelando as práticas do cenário alternativo de música. Mas, sobretudo, os serviços de distribuição de conteúdo atualizam as percepções sobre oportunidades e expectativas de quem atua neste campo. Transcendendo a noção de retorno financeiro — cada vez menos intrínseco à publicidade –, destaco como importante característica desses canais um senso renovado de possibilidades/esperança sobre o reconhecimento do trabalho independente.

Referências Dhar V.; Chang E. 2009. Does Chatter Matter? The Impact of User Generated Content on Music Sales. In.: Journal of Interactive Marketing, 23:4.

Música performance poética

Numa das direções possíveis e talvez menos comum, há uma imensa margem que conecta o mundo em música além do som, essa margem talvez seja o observar, mas também pode ser o sentir ou mesmo o expressar. Nesse imenso encontro de beiras e na divisa de estar inteiro, a jovem curitibana Ísis Odara performa entre poema, música e corpo em seu novo trabalho autoral após sua primeira experiência na vivência de YANAY.

Ísis é escritora, poeta, compositora e relaciona suas obras em artes visuais. Usuária andante da cidade, coleta seus fragmentos e captura poesia para extravasar em roteiro performático seu tempo de vida, sensações e suas flexões de intensidades. Telúrica é retorno para um novo ciclo, uma reconexão de lugares, sensações e experiências do entre. Como está na essência de Ísis, a parceria desse álbum performático também nasceu do encontro e da vivência com seu amigo e produtor musical e visual de Telúrica, o elogiado Vinícius Nisi.

Nisi, carinhosamente conhecido por grande meio dos contemporâneos da música brasileira não perde sua natureza: a originalidade, capricho e o convite para novas formas de experiênciar a música estão mais que presentes nesse disco, estão marcadas na sincronia entre música, imagem e emoção. O primeiro registro do trabalho foi feito performativo em home studio, nos estudos de elementos e climas. Mas, as audições propuseram um novo registro ao vivo, integral, a beira do Rio Atuba, uma das margens que cruzam a história e conta um pouco do universo de sensações e reflexões da vida que correm através do corpo e vida da jovem artista.

Álbum Branco: descobrindo novidades

O Álbum Branco foi criado para aguçar a curiosidade e a pesquisa dos leitores da musicoteca em 2012. Sua seleção é baseada inteiramente nas obras recebidas pelo nosso canal de curadoria para apresentar um panorama de lançamentos futuros da plataforma. Mas foi suspenso em 2015 com um hiato do site.

Hoje, com a ajuda de nossos leitores e leitoras conseguimos recuperar os arquivos originais e relançar os 3 álbuns dessa série que tanto agradou e despertou uma pesquisa autônoma em alguns seguidores para tentar desvendar de quem era cada uma das faixas.

A intenção é que o leitor experimente uma coletânea de artistas interpretes e compositores independentes da nova geração, sem saber quem é o autor ou o nome da faixa. Isso gerou uma pesquisa nas redes pelos seguidores que queriam descobrir e descobriram quase todos os álbuns. Você pode iniciar sua pesquisa no google também (clicando aqui).

Todas as faixas destas coletâneas serão tagueadas com seus artistas assim que suas obras forem entrando em nosso acervo. Fiquem ligados.

Ilustração cedida por: Douglas Reder

Boa descoberta!

Um Verão Qualquer: os caminhos visuais e poéticos do novo disco do Versos

Após o primeiro álbum homônimo (2014) e o lançamento do segundo disco Desate (2015), o duo Versos que compomos na estrada completa a tão esperada trilogia poético-sonora com Um verão qualquer (2019) – que eu tive o privilégio de ser convidado mais uma vez para assinar a concepção visual da capa.

Exclusivamente para esta ocasião, a Musicoteca me chamou para falar um pouco sobre o processo criativo e as minhas  inspirações durante a realização do projeto gráfico. E é ao som das seis faixas deste novo trabalho musical que escrevo esta lembrança aqui da cidade grande:

Cresci numa pequena ilha do oceano Atlântico no início da década de 90. Na visão líquida dos meus olhos ingênuos, todo meu redor se fazia flutuante. Uma fronteira móvel e, ao mesmo tempo, fixa, permanentemente contornava minhas brincadeiras de criança. Uma delas – talvez a preferida – era caminhar em direção ao mar. O mais próximo possível desse gigante azul. Mais do que ver, eu gostava mesmo é de ouvir a capacidade criativa das ondas. Basicamente, margeava o espaço de terra mais próximo do litoral e posicionava as minhas orelhas na direção contrária do vento. A brisa vinda do infinito se encarregava de preencher os meus tímpanos com a melodia inexplicável do invisível.

Às vezes, o gigante azul se aventurava na poesia e esquecia alguns versos na solidez das conchas naufragadas. A cada nova descoberta, minhas pequenas mãos acolchoavam essas conchas ao pé dos meus ouvidos e eu ficava à espera do sonoro desconhecido. Naquele momento, o silêncio do mundo inteiro reverberava em mim como se me pedisse para revelar algo que nunca saberei exatamente o que é. Desde cedo, aprendi a sonhar em plena luz do dia. Com olhos abertos e ouvidos atentos. No caminho de volta para casa, vez ou outra, eu escutava as andorinhas. Era o prenúncio de uma nova estação. O meu verão tinha tonalidade ocre e vinha acompanhado de uma brisa melancólica: extremamente sensível. Como se fosse o tempo dos poetas onde quem aquece já não é mais o solitário sol, mas a palavra solidária escondida nas ondas melódicas. Os pássaros são notas na partitura do firmamento.

Quando recebi o convite para traduzir imageticamente o conceito sonoro deste projeto, o primeiro desenho que me veio foi o de um ser indefinido (portanto, de infinitos significados) de braços abertos, formando um horizonte. Lembrei imediatamente de um verso antigo que eu havia ilustrado em guardanapo: O Horizonte é o abraço que você nunca me deu. Desde sempre, na minha cabeça-avoada, essa linha que chamamos de horizonte sempre representou um abraço desejado e nunca realizado. Um gesto incompleto; logo, eterno.

Para o traço, pensei em seguir literalmente o fluxo das águas: a narrativa do mar. O mar não é analfabeto. Ele usa uma outra linguagem própria, com sílabas impronunciáveis ao conhecimento humano, mas que dizem, comunicam, declamam, derramam dores e alegrias no peito de quem se arrisca a navegar. Dois barcos, ondas delicadamente caóticas e um sol imponente completam a arte. A ideia de ilustrar navios que partem em direção contrária é de mostrar que, apesar desse visível afastamento, os caminhos se encontrarão em algum lugar ainda invisível.  A vida não seria um eterno ciclo/círculo com seus permanentes encontros, reencontros, chegadas e despedidas? Inconscientemente, essa ilustração funcionou como uma representação gráfica do longo hiato musical que o duo passou nesses últimos tempos.

Hoje, escrevo de longe daquela pequena ilha. Meus pés calçam um número maior e já não pisam mais na areia fofa em busca de alguma concha naufragada. Meu horizonte é uma sequência interminável de prédios pontualmente interrompido por uma árvore esperançosa ou um pássaro desatento. E é daqui que agradeço à Lívia e ao Thom por me permitirem respirar novamente o oceano Atlântico mesmo sufocado nesse mar de concreto chamado São Paulo.

Primeiro disco: o que saber

INTRODUÇÃO AO ARTISTA INDEPENDENTE
Embora o conceito não seja aplicado ao pé da letra, o termo “independente” na música moderna digital revela-se mais como uma performance de resistência e filosofia do artista popular brasileiro e seu alcance do que a independência de sua produção autoral de fato. Os artistas autônomos da geração digital atuam na organicidade de seu encontro afetivo e já conseguem com essa aproximação e diálogo financiar boa parte de sua primeira obra subsidiada por amigos e amantes de música brasileira. Se você é um cidadão ou cidadã com privilégios, recomendo reconhecê-los o quanto antes possível desse diálogo com o público. Existe uma rede de economia criativa atuando de forma orgânica, e é fundamental identificar a melhor forma para que seu público possa investir e impulsionar sua obra, antes que as coisas comecem a não fazer sentido para a decisão do público. Ele organicamente escolhe projetos originais, que os sentidos da verdade e arte se confluem. Existe o “financiamento” que precede a concepção da obra e que exige clareza com a real necessidade do artista em realizar sua arte, para a magia fazer efeito é necessária muita verdade e amor. E o “incentivo” é decorrente do pós-obra, momento de colher e se conectar ainda mais com o seu público: agradecer, filosofar, trocar, evoluir e estabelecer conexão real. 

Existem duas premissas/dilemas macros para artistas que ainda não lançaram seu primeiro Álbum Musical: audiência e/ou organicidade de valor cultural. É delicado fazer uma cruzada com tão limitadores parâmetros de uma complexíssima discussão sobre o processo de lançar um álbum nos anos 2000, mas se você não sabe por onde partir suas ideias de planejamento e pesquisa, talvez isso possa lhe trazer algumas direções para se encontrar nessa frenética produção musical que a internet nos trouxe. 

AUDIÊNCIA QUE DEPRIME
Muitas questões e críticas colocadas hoje sobre a “cena” musical e que nos levam à depressão artística vêm justamente das expectativas de aprovação que as estatísticas de audiência tornam públicas. Caso você seja um artista que não tenha interesse na análise interpretativa ou na pesquisa de entender aonde você está chegando e como isso acontece, isso pode tornar o seu caminho um pouco mais difícil consigo mesmo(a). Trabalhar sobre essa ótica é construir muros em volta de um universo. Não poderíamos te ajudar, então neste caso aconselhamos um “mananger/CEO”, que pode te auxiliar com as demandas pop e os detalhes requeridos para os processos da indústria envolvendo inúmeros intermediários. Nesta resenha estamos falando com o pessoal do próximo parágrafo.

ORGANICIDADE CULTURAL
Ao contrário do motor da audiência e das estatísticas das plataformas, o artista autônomo deve reconhecer valores afetivos na germinação de uma carreira e obra para um(a) “iniciante” que ainda não tem aparatos resolutivos para uma ação de lançamento de sua primeira obra musical (Álbum), ou, ainda, que preze pela sua originalidade, liberdade criativa, formatos e parcerias. Esses valores estão na coesão entre a concepção da obra e, a partir deste momento, seu trânsito pelas redes. No caso da arte autônoma, uma visualização de sua obra fora das plataformas tem valor de 10 ou mais no streaming hoje em dia, por uma questão de organicidade na descoberta do ouvinte por coincidência de seu universo digital ou por indicação de outro amigo que também experienciou outras descobertas nesse caminho. Grandes obras, autores e projetos de arte e cultura entenderam seu caminho reconhecendo e dialogando com seu público orgânico como principal valor de conversão progressiva na compreensão da qualidade de sua obra e como seu sucesso tem mais a ver com sensibilidade e as possibilidades de encontro. Esse sim talvez seja o grande conversor real dessa progressão biográfica e poética. Partindo desse lugar de entrantes e consumidores de cultura alternativa, vamos apontar abaixo algumas sugestões de como reduzir os anseios e ampliar sua rede e entender nossos espaços e possibilidades.

ANTES DE GRAVAR
Há infinitas inspirações e cruzamentos do artista para entender o que é e a necessidade da pesquisa no auxílio de liberdade criativa, pois não existem obrigatoriedades no universo criativo/criador. Neste caso, a sugestão da pesquisa é direcionada para uma inserção mais estratégica nas possíveis linguagens no campo internético. Na indústria fonográfica a multilinguagem exige praticamente adaptações no máximo de formatos e edições possíveis para atender o maior número de plataformas e suas ferramentas interativas, e isso requer uma equipe e dinheiros (privilégios). Com a pesquisa de referências e linguagens, você consegue entender melhor quais dessas plataformas e linguagens atendem e se cruzarão com as emoções de sua obra: será que é vídeo mesmo? Tem que ser? – look forçação tem limites? – tudo cabe em vinil? – quais os formatos de shows que o álbum pode oferecer? Pois é! São muitas questões, possibilidades e escolhas. Mas o mais importante é saber identificar quais as suas possibilidades nesses formatos para aplicá-los e acompanhá-los. A partir daí, todas as respostas serão sucesso e transformação para um trabalho de arte. Não espere de seu primeiro disco o sucesso apenas, ele sempre aparecerá nos encontros, nos diálogos, e nas possíveis apresentações. Cada um deles será um embrião original de sua força artística. Esse é um dos valores da Originalidade Cultural. Para 1000 ou para 10, as pessoas transcendem e mudam o universo com você.  

O QUE DISTRIBUIR E COMO
É importante, e com o primeiro passo da pesquisa você descobrirá as informações básicas e o que deve sempre acompanhar sua obra até esse caminho aos ouvintes e intermediários pesquisadores como produtores culturais, rádios, festivais e espaços de shows de todos os tamanhos. Aconselhamos um “kit de divulgação” com o máximo de informações técnicas possíveis, não só compositores e artista/banda. E é nessa fase que você enriquecerá substancialmente a entrega e as decisões de shows e aparatos necessários para elaboração e identificação de pautas dos receptores. Assim os interlocutores começam a ter um pouco mais de dimensão do processo do artista. O grande “diferencial” é também trazer novos artistas parceiros e de outras artes, como a fotografia, artes visuais, vídeo, figurinistas, músicos e diversos encontros. Essas informações devem condensar esse kit para envio aos possíveis canais com o mesmo capricho. É importante que você também garanta a distribuição de sua obra com a melhor qualidade possível. Abaixo, em tópicos, destacamos algumas informações básicas que você consegue realizar sem adicional financeiro.

Ficha técnica completa da Obra: todas as pessoas e espaços envolvidos;
Ficha técnica de cada canção sempre que possível;
Fotos de divulgação em alta resolução e créditos do fotógrafo/ilustrador;
Álbum em mp3 320kbps com todas as tags internas já editadas com capa;
Contatos para shows e todas as redes do(a) artista/banda;
Release de apresentação da obra e bio do(a) artista/banda;
Rider de palco e formatos de shows possíveis; solo, acústico, completo;

Além das maiores plataformas de stream, o(a)s artistas independentes com suas primeiras obras podem buscar bons impulsionadores também independentes e que poderão como intermediários conectá-los a outras redes que reverberam potências muitas vezes anônimas, como curadores, consumidores de shows e novidades originais do Brasil. Esses intermediários podem ser produtores culturais ou canais de informação sobre música e proponentes de projetos de fomento em diversas escalas. Mais uma vez, a pesquisa de como você mesmo consome e descobre música antes mesmo de lançar sua obra fará diferença nessa fase. Depois da ascensão da indústria do streaming em 2009, muitos artistas optaram por dialogar com dedicação a esses espaços de serviço. Com esse novo formato de consumo, outras plataformas alternativas perderam força, foram vendidas ou deixaram de existir porque muitos artistas se desconectam desse lugar alternativo e de origem após obter visualizações mais seguras que lhes deem o aporte do subjetivo sucesso. Muitos deles abandonam a luta pela difusão da música como base fundamental da cultura. Mas, para quem quer que a música circule, é uma ótima pedida tentar acionar e não subestimar novos e ativos projetos de difusão de todas as culturas. Mesmo com a distribuição gratuita da sua obra, é possível que o(a) próprio(a) artista/banda tome esse controle, contato e autorize onde e como a sua obra deve chegar nesses canais. 

COMO INICIAR CONTATOS
Comece pelos blogs/sites e as novas rádios alternativas de música. Independente de sua potência, ter pessoas falando sobre música, a sua música, pode trazer starts e universos inspiracionais com relações mais humanas e de alto impacto poético e de identificação de tempo e origens para criar oportunidades. Estar em todas as plataformas será cada vez mais: apenas estar. E, enquanto a “carreira” não chega, é o momento de ir aos encontros que podem ser propostos sem quaisquer barreiras ao acesso a sua obra. Não fique apenas no stream, disponibilize seu trabalho nem que seja em seu site. A internet é infinita. Pesquise e aborde espaços e pessoas que amam música brasileira de verdade. É por essas pessoas que as coisas podem se movimentar. Poderíamos dar muitas dicas aqui, mas essa pauta de espaços ficará para nossas próximas publicações para não nos alongarmos muito.  

O QUE ACONTECE DEPOIS
Em anos de convivência quase que diária com artistas de quase todas as artes, a sensação que mais coincide nas discussões após lançamento de suas primeiras obras é que não há uma racionalização potente de realização que ainda não reverbere algum tipo de status cult que garanta não só ao artista a sensação de esforço e trabalho cumprido. Até nas camadas mais reflexivas, originais e autocríticas o “sucesso” presta seu serviço de ditar coletivamente o valor imensurável da poesia e sua profunda transformação nos indivíduos envolvidos. É visível e natural o reconhecimento da produção com alto nível de preocupação e profundidade que artistas independentes estão produzindo. No entanto, o paradoxo de aceitação popular não parece mais se explicar apenas através da acessibilidade. Dito isso, talvez você possa viajar diferente nos dias de hoje, como muitos artistas vêm amadurecendo e entendendo cada vez mais a dimensão e verdade do seu trabalho como um novo valor bruto e original, também reconhecido pelo seu público orgânico, internalizando sua importância e atravessando o consumo e oferecendo experiência que inevitavelmente exige o mínimo de sensibilidade. A primeira obra é um nascimento, e não há valor que deva mensurar sua real verdade de existir. É a partir dela que as redes se expandem. O aprendizado e as emoções capturadas e vividas através dela e do público é que poderão ressignificar o modelo de sucesso e saúde social dos artistas com suas obras. Converse, escute outros artistas próximos, eles estão aí com muitas coisas para compartilhar e ajudar a todos nós e construir uma rede mais digna para que o acesso à cultura não seja o vilão dos artistas e sim a base de tudo. 

COMO POSSO AJUDAR OS ARTISTAS INDEPENDENTES
A maior conquista dos artistas autônomos é o seu reconhecimento como artista através das pessoas, do seu público, do seu ciclo de vida. Nenhum sucesso mantém acesa essa chama do reconhecimento de cada indivíduo. Além de poder financiar, comprar os álbuns ou ir aos shows e não reclamar do valor dos ingressos, você pode começar reconhecendo todos os artistas que vivem em sua volta, não só os da TV ou do Rock in Rio, e divulgando com respeito e carinho o trabalho de seus amigos. É preciso respeitar, compreender e dialogar com os artistas próximos de você, de nós! É urgente essa injeção de ânimo e vida aos que nos propõem sentir algo, que ampliam nosso sentir. Pendure quadros de seus amigos em sua sala, ouçam discos de artistas próximos ou novos em sua casa, com seus amigos, converse com eles sobre, fale dos universos de cada um dele(a)s, de suas histórias. Trate sempre um artista como um artista deve ser tratado: com respeito, com reverência e beleza todas as suas adversidades e condições filosóficas. Apresente seus amigos artistas com toda majestade e importância que todos e todas merecem. Nossa dignidade começa também quando reconhecemos nossos amigos também como grandes artistas que são, talentosos e importantes não apenas para o mundo, mas para nossa cidade, nosso bairro, nossa turma, nossa casa, nossa solidão. É sobre se reconhecer também, construir e preservar as culturas e colocar valor onde realmente há.

Foto: Jason Rosewell

CRIANOMICS: uma rede de desafios e soluções criativas.

Na contramão do desmonte cultural promovido pelo atual governo do país, o Brasil se vê diante do renascer necessário para preservar e manter em pé os pilares do desenvolvimento humano social. E, para continuar dando base e fundamento à salutar vitalidade criativa, os criadores, pesquisadores e impulsionadores da cultura levantam em fogo como fênix. Dando prosseguimento e firmando seus polos criativos, Curitiba mantém a vanguarda e antecipa discussões com fundamentos na informação e formação para compreensão do circuito de fomento e profissionalização trazendo um panorama performativo de alguns de interlocutores ativos para mesas, workshops, palestras e debates para além do serviço cultural oferecido à sociedade.

A primeira CRIANOMICS traz um respiro de inspirações e debates com o foco na discussão social-acadêmica e seus indivíduos propositores de projetos de cultura com potente transformação. O coletivo criado em 2019 reúne inquietos produtores locais, que vêm há anos solidificando e cultuando ações e parcerias com as instituições governamentais sem abrir mão de seu histórico de cultura de guerrilha que já está instaurada na cronologia do entretenimento não só do sul do país. Alguns de seus projetos provocaram mudanças e valorizaram a autonomia dos agentes que usam e percebem as necessidades e conceitos múltiplos como uma experiência de vida e descobrimento da cultura local, seus artistas e principalmente o intercâmbio entre inovadores e curadores de ações promissoras. O evento vai adiante do que estamos acostumados a vivenciar em Feiras de Música e Culturas. Aqui o cérebro são as ideias, espaços, curadores e a pesquisa que faz sobre a profunda capacidade de ampliar soluções através da voz e do encontro. Assim, abrem-se as oportunidades para os interessados no conhecimento e na experiência cultural em todos os espaços.

CRIANOMICS transcende as possibilidades do debate e propõe a oportunidade de conhecer, ouvir, e debater com alguns gurus da cultura e espaços institucionalizados na formação educativa social, propondo o encontro entre arte, design humano, espaços e seus transformadores. Entre os embriões criadores, o casting de convidados é altamente vigoroso e de deixar muitas feiras, congressos e eventos de “engajamento” cultural desafiados. Entre os convidados estão: Letícia Castro (Centro Brasil Design), Maria Boggiano (AR – Dirección de Economía Creativa de la Secretaría de Cultura de la Nación Argentina), Frederico Munhoz (Vale do Pinhão), Gisele Raulik (Celepar), German Lang (Argentina), Luiz Roberto Meira, Rafael Araújo (AIMEC), Ana Penso (Centro Europeu), Sadia Castro (Ópera Serra da Capivara) entre outros. Talvez desconhecidos para alguns produtores e pesquisadores, assim pulsiona o grande órgão da transformação na cultura geográfica hoje: trazer os potenciais anônimos que, no intimo social, acabam gerando transformações em dimensões quase ocultas que formulam e alteram a grande rede de conhecimento e tendências criativas. As redes são complexas, mas possíveis.

Essas redes de formadores e pesquisadores aceitaram o desafio e irão se encontrar entre os dias 18 e 20 de setembro no novo campus do Centro Cultural FIEP, na rua Paula Gomes, 270, Curitiba. Uma oportunidade rara para filosofar com consciência e muita, muita inspiração para conhecer e quem sabe entender um pouco mais as dimensões da discussão sobre as redes de cultura global em um ponto de partida local, na cidade que mais avança em pesquisa, aplicações artísticas, e talvez, uma das maiores osmoses na fluidez entre arte e cidade.

Saiba mais sobre o projeto em: https://www.crianomics.com.br

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