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Tibério Azul

Tibério Azul

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foto de: Fabiano Cafure

por Gregório Duvivier

1. Conheci Tibério numa dessas listas de melhores discos do ano – no topo da lista, acredito. Já não sei se era o topo daquela lista, mas logo ficou no topo da minha lista pessoal. Fascinou-me o nome, primeiro. Tibério Azul parece nome de banda. Logo descobri que não era. Quem se chama Tibério é o sujeito! Chamando-me Gregorio, senti logo uma irmandade das pessoas que nasceram com nome de octogenário.

2. Pus o disco pra tocar – por “tocar” entende-se clicar, por “disco” entende-se um soundcloud. Veja só, até parece que é o fim. Eis que o disco era melhor que o nome– coisa que acontece tão raramente hoje. Meu violão eu vendi porque o sensível me dói. Metal pra todo o lado. Um violão meio folk misturado com metaleira e sotaque de Pernambuco. Não sou um grande entendido de música, do tipo que não gosta de nada. É o contrário – gosto tanto de algumas músicas que esse amor beira a loucura e já não quero ouvir mais nada. Daí nada mais presta. Quando gosto de um disco sou capaz de ouvir todos os dias do ano. Foi o que fiz com o primeiro disco do Tiberio. Quando Maria me fundou o carnaval/estava velho esquecido do assunto. Que discão. Alguém avisa a mainha, tô bem.

3. Aprendi que, na vida, não se deve nunca conhecer as pessoas que você admira. A maioria das pessoas geniais que conheci se preocupavam tanto em serem geniais que acabavam por não serem pessoas. Conheci Tibério mesmo assim e descobri que Tibério é dessas pessoas que emprestam o gênio pra vida e tratam as relações interpessoais como quem trata um disco ou um livro – dizem que Vinicius de Moraes era assim também. Foi inevitável: ficamos amigos à revelia do talento dele.

4. Ouvi o disco novo aos poucos, como se fazia antigamente – sem pular os finaizinhos, com toda a calma do mundo. Depois ouvi de novo. E de novo. Gostar é pouco quando se trata de certas músicas - assim como gostar é pouco quando se trata de um amigo ou de um filho. O disco do Tibério é tudo que a gente precisava nesse ano que já começou com avião caindo e gente morrendo e gente comemorando que gente morreu. Toda a gente parecendo muito pouco gente. Me parece um disco sobre afeto – a vida pede mais abraço que razão; dengo e cafuné/ me amoleço inteiro; bem melhor se estender/do que uma muralha sem amor. Lembrou outro pernambucano, Bandeira, que também levantou a bandeira do afeto. faço um xodó/te ralo num baião/danço um arrasta pé/faço um menino seu evocando outras evocações do recifense (montarei em burro brabo/subirei em pau de sebo/tomarei banho de mar!/e quando estiver cansado/deito na beira do rio/mando chamar a mãe d’agua/pra me contar as histórias/que no tempo de eu menino/rosa vinha me contar)

5. Tiberio – talvez seja o nome - tem a antiguidade do mundo. O som não parece desse tempo, mas tampouco parece de outro tempo. Por um momento os metais te levam pra Era do Swing americana mas logo em seguida os mesmos metais te levam pro carnaval pernambucano – você nunca sabe se tá em Nova Orleans, Nova Iorque ou Olinda. Quem compôs essa faixa foi Glenn Miller ou Capiba? Nenhum dos dois, mas talvez se tivessem se conhecido daria no Tibério. Taí um paradoxo que ele resolve: fez um disco moderníssimo sem nunca ser um disco moderninho. Nem futurista nem saudosista. Meu tempo é quando.

6. Tiberio me diz que o disco é líquido. Fala muito de água, de rio e de mar (deixa o mar levar as nossas roupas). Se o disco anterior falava muito de sol e de praia (vamos ficar sol, sós o dia inteiro) o disco novo fala do temporal quesucedeu à calmaria (hoje não fará sol/o rio vai transbordar). Não consigo não pensar numa leitura política – vício, talvez, de colunista de jornal. O disco anterior, de 2012, foi fabricado em outro Brasil – certamente mais solar. Antes de 2013, antes do 7 a 1, antes do golpe ou impeachment ou seja lá o que você quiser chamar, antes da tão evocada crise. Mudou tudo em quatro anos. Em 2016, o temporal chegou. E não tem sinal de que tá passando. Mas o temporal de Tibério está longe de ser trágico. Ao contrário disso, parece uma ocasião festiva (ouve só a chuva está lá fora/e deve entrar pra encharcar nós dois). Não servindo pra nada lutar contra a chuva, resta ao artista se misturar a ela, celebrá-la (sou todinho esse aguaceiro). E pra quem gosta de sol, algum dia ele há de voltar (se amanhã chover/depois de amanhã a gente vai pedala até o mar).

Músicas / Álbuns

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