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Ah não ser eu toda a gente e toda a parte! / 2016

“Ah não ser eu toda a gente e toda a parte”, primeiro álbum de
Francisco Okabe, revela um instrumentista de mão cheia. Disposto a
explorar diferentes densidades musicais, Chico costura suas
composições com paisagens sonoras da cidade de Curitiba criando
atmosfores próprias, afetuosas e violentas. Pode-se sentir o cheiro de
grandes compositores brasileiros em seu precioso violão, mas também
podemos sentir o desejo que mira fronteiras, escuta o ambiente que o
cerca e propõe um percurso próprio. Como ele mesmo diz, há neste álbum
“um desejo de identificação com tudo – e uma confissão de fracasso.”

O título do álbum é a parte final do poema “Ode Triunfal” de Álvaro de
Campos que o compositor conheceu através do filme “Lisbon Story”, de
Wim Wenders. É bonito ver como Chico trabalha com suas referências de
modo muito consciente e nesse sentido, é interessante ouvi-lo falar
sobre, ligando pontos e sugerindo fricções. Segundo ele, “o poema e o
filme trouxeram a vontade cosmopolita de abraçar todos os cantos duma
cidade em que cabem construções novas e antigas, expressões ditas
eruditas e populares”. Essa experiência de polifonia urbana permeia o
álbum de modo preciso e singelo, e a cada momento o disco trabalha uma
relação específica entre essa música que vem da tradição do violão
brasileiro com a música concreta ou a música de câmara. Esse trânsito
está nas baixarias do violão 7 cordas, na doçura de uma valsa macia,
na relação mais ou menos explícita com o cinema, ou mesmo no som das
bombas lançadas pela polícia – a mando do desgoverno do Paraná – no
histórico 29 de abril de 2015, conhecido como o massacre dos
professores. É nessas fissuras texturais, na orquestração dessas
contradições que Chico abriga a cidade, suas esquinas, bares e
calçadas. Não como quem quer dar conta da urbe, mas como quem não pode
deixar de ouvir seus gritos e se contaminar por eles. Olhar ao redor e
se permitir ser atravessado pelo contexto. Responder a ele ainda que
seja oferecendo mais perguntas, mais questões e menos certezas.

Esse disco é uma abertura, uma inauguração. Quem tem acompanhado o
trabalho do Chico nos últimos anos sabe que ainda tem muito por vir.
Seja com seu trabalho solo, seja com a Obake – quarteto instrumental
formado em 2016 por ele, Pedro Mila, Acácio Guedes e Murilo Macari –
ou ainda fruto de outras conexões por hora insuspeitadas.

Evoé Chico! Mestre menino! Que seja o primeiro de muitos!

Ficha Técnica
Músicas, arranjos e produção: Francisco Okabe
Edição, mixagem e masterização: Leonardo Lima
Foto da capa: Dayane Battisti

Músicos amigos participantes:
Acácio Guedes: Baixo (faixa 2 e 4)
Alisson Mateus: Pandeiro (faixa 7)
Angela Silva: Violoncelo (faixa 2)
Francisco Araújo: Clarinete (faixas 2, 6 e 7)
Marina Ramos: Voz (faixa 6)
Murilo Macari: Guitarra (faixa 5)

SELO: Onça Discos

Baixar “Álbum: Ah não ser eu toda a gente e toda a parte! (2016)” musicoteca-Francisco-Okabe-2016.zip – Baixado 275 vezes – 32 MB

Profile photo of Luciano Faccini
Artista múltiplo, compositor, entusiasta e articulador cultural, Luciano Faccini nasceu em Porto Alegre e mora em Curitiba desde 2007. É integrante do Água Viva Concentrado Artístico com o qual concebeu, produziu e colaborou com diversas obras e projetos em diferentes áreas.

Músicas / Álbuns

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