Música performance poética

Numa das direções possíveis e talvez menos comum, há uma imensa margem que conecta o mundo em música além do som, essa margem talvez seja o observar, mas também pode ser o sentir ou mesmo o expressar. Nesse imenso encontro de beiras e na divisa de estar inteiro, a jovem curitibana Ísis Odara performa entre poema, música e corpo em seu novo trabalho autoral após sua primeira experiência na vivência de YANAY.

Ísis é escritora, poeta, compositora e relaciona suas obras em artes visuais. Usuária andante da cidade, coleta seus fragmentos e captura poesia para extravasar em roteiro performático seu tempo de vida, sensações e suas flexões de intensidades. Telúrica é retorno para um novo ciclo, uma reconexão de lugares, sensações e experiências do entre. Como está na essência de Ísis, a parceria desse álbum performático também nasceu do encontro e da vivência com seu amigo e produtor musical e visual de Telúrica, o elogiado Vinícius Nisi.

Nisi, carinhosamente conhecido por grande meio dos contemporâneos da música brasileira não perde sua natureza: a originalidade, capricho e o convite para novas formas de experiênciar a música estão mais que presentes nesse disco, estão marcadas na sincronia entre música, imagem e emoção. O primeiro registro do trabalho foi feito performativo em home studio, nos estudos de elementos e climas. Mas, as audições propuseram um novo registro ao vivo, integral, a beira do Rio Atuba, uma das margens que cruzam a história e conta um pouco do universo de sensações e reflexões da vida que correm através do corpo e vida da jovem artista.

Álbum Branco: descobrindo novidades

O Álbum Branco foi criado para aguçar a curiosidade e a pesquisa dos leitores da musicoteca em 2012. Sua seleção é baseada inteiramente nas obras recebidas pelo nosso canal de curadoria para apresentar um panorama de lançamentos futuros da plataforma. Mas foi suspenso em 2015 com um hiato do site.

Hoje, com a ajuda de nossos leitores e leitoras conseguimos recuperar os arquivos originais e relançar os 3 álbuns dessa série que tanto agradou e despertou uma pesquisa autônoma em alguns seguidores para tentar desvendar de quem era cada uma das faixas.

A intenção é que o leitor experimente uma coletânea de artistas interpretes e compositores independentes da nova geração, sem saber quem é o autor ou o nome da faixa. Isso gerou uma pesquisa nas redes pelos seguidores que queriam descobrir e descobriram quase todos os álbuns. Você pode iniciar sua pesquisa no google também (clicando aqui).

Todas as faixas destas coletâneas serão tagueadas com seus artistas assim que suas obras forem entrando em nosso acervo. Fiquem ligados.

Ilustração cedida por: Douglas Reder

Boa descoberta!

Um Verão Qualquer: os caminhos visuais e poéticos do novo disco do Versos

Após o primeiro álbum homônimo (2014) e o lançamento do segundo disco Desate (2015), o duo Versos que compomos na estrada completa a tão esperada trilogia poético-sonora com Um verão qualquer (2019) – que eu tive o privilégio de ser convidado mais uma vez para assinar a concepção visual da capa.

Exclusivamente para esta ocasião, a Musicoteca me chamou para falar um pouco sobre o processo criativo e as minhas  inspirações durante a realização do projeto gráfico. E é ao som das seis faixas deste novo trabalho musical que escrevo esta lembrança aqui da cidade grande:

Cresci numa pequena ilha do oceano Atlântico no início da década de 90. Na visão líquida dos meus olhos ingênuos, todo meu redor se fazia flutuante. Uma fronteira móvel e, ao mesmo tempo, fixa, permanentemente contornava minhas brincadeiras de criança. Uma delas – talvez a preferida – era caminhar em direção ao mar. O mais próximo possível desse gigante azul. Mais do que ver, eu gostava mesmo é de ouvir a capacidade criativa das ondas. Basicamente, margeava o espaço de terra mais próximo do litoral e posicionava as minhas orelhas na direção contrária do vento. A brisa vinda do infinito se encarregava de preencher os meus tímpanos com a melodia inexplicável do invisível.

Às vezes, o gigante azul se aventurava na poesia e esquecia alguns versos na solidez das conchas naufragadas. A cada nova descoberta, minhas pequenas mãos acolchoavam essas conchas ao pé dos meus ouvidos e eu ficava à espera do sonoro desconhecido. Naquele momento, o silêncio do mundo inteiro reverberava em mim como se me pedisse para revelar algo que nunca saberei exatamente o que é. Desde cedo, aprendi a sonhar em plena luz do dia. Com olhos abertos e ouvidos atentos. No caminho de volta para casa, vez ou outra, eu escutava as andorinhas. Era o prenúncio de uma nova estação. O meu verão tinha tonalidade ocre e vinha acompanhado de uma brisa melancólica: extremamente sensível. Como se fosse o tempo dos poetas onde quem aquece já não é mais o solitário sol, mas a palavra solidária escondida nas ondas melódicas. Os pássaros são notas na partitura do firmamento.

Quando recebi o convite para traduzir imageticamente o conceito sonoro deste projeto, o primeiro desenho que me veio foi o de um ser indefinido (portanto, de infinitos significados) de braços abertos, formando um horizonte. Lembrei imediatamente de um verso antigo que eu havia ilustrado em guardanapo: O Horizonte é o abraço que você nunca me deu. Desde sempre, na minha cabeça-avoada, essa linha que chamamos de horizonte sempre representou um abraço desejado e nunca realizado. Um gesto incompleto; logo, eterno.

Para o traço, pensei em seguir literalmente o fluxo das águas: a narrativa do mar. O mar não é analfabeto. Ele usa uma outra linguagem própria, com sílabas impronunciáveis ao conhecimento humano, mas que dizem, comunicam, declamam, derramam dores e alegrias no peito de quem se arrisca a navegar. Dois barcos, ondas delicadamente caóticas e um sol imponente completam a arte. A ideia de ilustrar navios que partem em direção contrária é de mostrar que, apesar desse visível afastamento, os caminhos se encontrarão em algum lugar ainda invisível.  A vida não seria um eterno ciclo/círculo com seus permanentes encontros, reencontros, chegadas e despedidas? Inconscientemente, essa ilustração funcionou como uma representação gráfica do longo hiato musical que o duo passou nesses últimos tempos.

Hoje, escrevo de longe daquela pequena ilha. Meus pés calçam um número maior e já não pisam mais na areia fofa em busca de alguma concha naufragada. Meu horizonte é uma sequência interminável de prédios pontualmente interrompido por uma árvore esperançosa ou um pássaro desatento. E é daqui que agradeço à Lívia e ao Thom por me permitirem respirar novamente o oceano Atlântico mesmo sufocado nesse mar de concreto chamado São Paulo.

CRIANOMICS: uma rede de desafios e soluções criativas.

Na contramão do desmonte cultural promovido pelo atual governo do país, o Brasil se vê diante do renascer necessário para preservar e manter em pé os pilares do desenvolvimento humano social. E, para continuar dando base e fundamento à salutar vitalidade criativa, os criadores, pesquisadores e impulsionadores da cultura levantam em fogo como fênix. Dando prosseguimento e firmando seus polos criativos, Curitiba mantém a vanguarda e antecipa discussões com fundamentos na informação e formação para compreensão do circuito de fomento e profissionalização trazendo um panorama performativo de alguns de interlocutores ativos para mesas, workshops, palestras e debates para além do serviço cultural oferecido à sociedade.

A primeira CRIANOMICS traz um respiro de inspirações e debates com o foco na discussão social-acadêmica e seus indivíduos propositores de projetos de cultura com potente transformação. O coletivo criado em 2019 reúne inquietos produtores locais, que vêm há anos solidificando e cultuando ações e parcerias com as instituições governamentais sem abrir mão de seu histórico de cultura de guerrilha que já está instaurada na cronologia do entretenimento não só do sul do país. Alguns de seus projetos provocaram mudanças e valorizaram a autonomia dos agentes que usam e percebem as necessidades e conceitos múltiplos como uma experiência de vida e descobrimento da cultura local, seus artistas e principalmente o intercâmbio entre inovadores e curadores de ações promissoras. O evento vai adiante do que estamos acostumados a vivenciar em Feiras de Música e Culturas. Aqui o cérebro são as ideias, espaços, curadores e a pesquisa que faz sobre a profunda capacidade de ampliar soluções através da voz e do encontro. Assim, abrem-se as oportunidades para os interessados no conhecimento e na experiência cultural em todos os espaços.

CRIANOMICS transcende as possibilidades do debate e propõe a oportunidade de conhecer, ouvir, e debater com alguns gurus da cultura e espaços institucionalizados na formação educativa social, propondo o encontro entre arte, design humano, espaços e seus transformadores. Entre os embriões criadores, o casting de convidados é altamente vigoroso e de deixar muitas feiras, congressos e eventos de “engajamento” cultural desafiados. Entre os convidados estão: Letícia Castro (Centro Brasil Design), Maria Boggiano (AR – Dirección de Economía Creativa de la Secretaría de Cultura de la Nación Argentina), Frederico Munhoz (Vale do Pinhão), Gisele Raulik (Celepar), German Lang (Argentina), Luiz Roberto Meira, Rafael Araújo (AIMEC), Ana Penso (Centro Europeu), Sadia Castro (Ópera Serra da Capivara) entre outros. Talvez desconhecidos para alguns produtores e pesquisadores, assim pulsiona o grande órgão da transformação na cultura geográfica hoje: trazer os potenciais anônimos que, no intimo social, acabam gerando transformações em dimensões quase ocultas que formulam e alteram a grande rede de conhecimento e tendências criativas. As redes são complexas, mas possíveis.

Essas redes de formadores e pesquisadores aceitaram o desafio e irão se encontrar entre os dias 18 e 20 de setembro no novo campus do Centro Cultural FIEP, na rua Paula Gomes, 270, Curitiba. Uma oportunidade rara para filosofar com consciência e muita, muita inspiração para conhecer e quem sabe entender um pouco mais as dimensões da discussão sobre as redes de cultura global em um ponto de partida local, na cidade que mais avança em pesquisa, aplicações artísticas, e talvez, uma das maiores osmoses na fluidez entre arte e cidade.

Saiba mais sobre o projeto em: https://www.crianomics.com.br

Curadoria

COLOQUE SEU ÁLBUM, PODCAST OU RÁDIO NA MUSICOTECA:
Todos os álbuns (obras) enviados para nossa curadoria estão previamente autorizados para distribuição e download livre de nossos leitores segundo as leis de difusão da música e cultura nos artigos abaixo sem fins comerciais:

A fim de que este seja disponibilizado para download no supramencionado site; ao abrigo do artigo 5, incisos I, II, IV, artigo 7, inciso V, artigo 29, inciso VI, VII, artigo 30, cabeça, da Lei Brasileira De Direitos Autorais <<Lei Federal n. 9.610/98>>.

COMO ENVIAR PARA A CURADORIA MUSICOTECA

POR E-MAIL
Crie uma pasta com todos os arquivos listados abaixo, compacte a pasta (.zip), suba o arquivo em algum serviço de download (wetransfer.com) e nos envie o link para o email: ouvemusicoteca@gmail.com.

ARQUIVOS QUE DEVEM SER ENVIADOS:
– Arquivos em mp3 de todas as faixas com 192 Kbps;
– Ficha técnica do álbum;
– Links de redes sociais, site e contato;
– Capa do álbum em alta qualidade;
– Release de apresentação (opcional);

Contato

Para artistas, radialistas e podcasters colocarem suas obras em nosso acervo, favor consultar a página de Curadoria com todas as informações necessárias.

Para envio de presentes, obras, correspondências, usem nosso endereço:
musicoteca (Web)
Rua Kuwait, 28
CEP: 82010-720
Curitiba-PR

Para análise de projetos e assuntos mais detalhados:
blogmusicoteca@gmail.com

Sobre nós

A musicoteca nasceu em 2003 no formato de blog cujo principal objetivo sempre foi divulgar e difundir a música brasileira autoral com participação dos artistas alternativos que disponibilizavam suas obras para resenha e compartilhamento.

Em 2019, depois de muitos altos e baixos em seus mais de 15 anos, a plataforma se reinventa para resistir à migração total de usuários na busca por novidades e pesquisa apenas através da grande indústria do stream. A musicoteca é um espaço independente e que se propõe ser um player com amostragem e curadoria de uma nova e potente geração da música brasileira para o mundo com uma pesquisa original e do nosso tempo. Tudo feito por um corpo de colaboradores e pesquisadores de todo o país nessa busca por novidades, gerando conteúdo.

Diferente do padrão das plataformas de música, a musicoteca reúne acervo próprio de músicas, rádios nacionais ao vivo, listas e artigos voltados para uma amostragem moderna do que os artistas do país estão produzindo de mais original para ouvidos à procura de conhecer melhor a musicalidade do Brasil.

Nosso esforço é manter a plataforma viva e de acesso livre para curiosos e amantes da música produzida em terras brasileiras no auxílio às políticas de democratização e difusão da cultura através da música.

Todas as obras contidas em nossa plataforma são reproduzidas de repositórios originais de seus artistas, respeitando as APIs de visualização do youtube, ou autorizadas pelos próprios artistas através de nosso canal de Curadoria.

Obrigado!

Nossa história

A musicoteca foi idealizada em 2003 por Web Mota, mineiro recém-chegado em São Paulo com seus 18 anos e a democratização do universo da internet no Brasil nessa época. No blog era possível encontrar resenhas e downloads de novos álbuns de artistas independentes e autorais brasileiros que enviavam suas obras para audição e publicação.

Com o passar dos anos, o blog foi crescendo e tendo cada vez mais demandas de acessos e artistas buscando espaço para lançar seus trabalhos. Assim, o que era uma atividade de prazer foi tomando conta do cotidiano de seu fundador, que passou a se dedicar totalmente ao espaço e à pesquisa musical. Com o apoio de um corpo de colaboradores, houve um aumento contínuo de lançamentos e de novos projetos, como a Coletânea Re-Trato, que comemorou os 15 anos de carreira do Los Hermanos, e um tributo ao grande compositor de muitas gerações, Antonio Marcos.

Com a chegada do stream, a musicoteca entrou em declínio e perdeu-se no momento de se reinventar como espaço de compartilhamento de música. Nesses últimos anos a plataforma passou por uma depressão e teve que se ressignificar, compreender e dialogar com as necessidades da produção e difusão da cultura brasileira por meio da música.

Em 2019 as coisas se ajeitam com a ajuda de muitos parceiros, artistas, amigos, colaboradores e pesquisadores que têm nos auxiliado nessa direção. Hoje somos uma plataforma focada na distribuição, lançamento e geração de conteúdo educativo e crítico em relação à música atual.