Esquartejada (2019)

Desde 2013 venho acompanho a distância os processos da pernambucana Aninha Martins. Eu a conheci através de um vídeo ao vivo da faixa “Faz Ideia” de um de seus parceiros, Hugo Coutinho, no canal do projeto DÍNAMO por minhas noites depressivas com muito cigarro, vinho e sofrência provavelmente. Foram anos voltando para esse vídeo de todas as formas e climas até discotecagem com esse vídeo eu fazia sempre que eu tinha oportunidade com os amigos, assim eu também consegui apresentar e divulgar mia admiração para muitas pessoas aqui no sul do país. Em 2017, Una fez seu primeiro show em Santa Catarina, em um dos Festivais mais conceituados do Brasil, o Psicodália, foi alí que tive a magia de conhecer e assistir impactado o seu show no Palco do Sol. Neste momento o disco já estava em gestação e já tinha sido batizado de “Esquartejada” e foi totalmente financiado por admiradores e amigos coletivamente.

Nesse processo até 2019 foram muitas fases para conceber e realizar a gravação do tão aclamado disco da Aninha, que já contava com um considerável público local crítico e já arrepiava e enchia de expectativas aqueles que a assistiam nos palcos da capital. Sempre que perguntava sobre algum destaque da música da mulher, muitas vezes seu nome era citado pela performance e originalidade vocal.

Veja bem a força e a perseverança da artista e de seu tempo, foram mais de seis anos para entender, viver e projetar não só sua maturidade artística mas também uma expectativa externa e ao mesmo tempo próxima. E tudo desemboca em um tempo de trevas, de violência contra as minorias e mais latente à mulher negra. Una, seu novo nome artístico traz a regionalidade do nordeste punk, a independência e potente força da interprete e a construção de seu repertório que parece ser costurado de vida e encontros calorosos e de muito enfrentamento. 

Uma mulher jovem, artista, e que não abre mão de suas conexões sociais e crítica para se adequar aos padrões não só da mulher, mas também do lugar da mulher na música. A voz de Una causou fervor por sua originalidade e logo os neurônios da referência associaram seu timbre de voz ao da Baby do Brasil. Com o tempo, e muita observação, a comparação diminuiu e o ser Una se mostrou ainda mais intensa, complexa, reativa e atuante política pelo corpo e voz da mulher brasileira e artista.

“Esquartejada” fala sobre a violência poética de cada dia que a mulher vive inevitavelmente, mesmo sob o aspecto do elogio e do exotismo. Desconfigurar tudo embaralhar dor e amor num deboche sobre a objetificação do corpo é o trunfo e uma das conexões mais reais no diálogo do álbum com a realidade do país. Esse que ao mesmo tempo, nasce ou renasce desse corpo/lugar da artista e seu domado conversor de dor e amor.

Fica para você uma interpretação e análise mais profunda sobre cada canção desse álbum. As discussões são muitas e urgentes, tanto o quanto você tiver a oportunidade também de poder viver uma show de Una Martins o quanto antes.

FICHA TÉCNICA:
Una – Aninha Martins – Voz
Aline Borba – Flauta e voz
Hugo Coutinho – Teclado e Voz
Rodrigo Padrão – Guitarra
Iezu Kaeru – Bateria
Victor Giovanni – Baixo

Almério – Part. Especial – Voz em Merda
Julia Claudino – Part. Especia – Voz em Goethe Machadiano
Ana Olivia, Romain Glr e banda. -Voz em Salomão.
Vinicius Paes, Germano Rebelo – Voz em Salomão e Sábio Satanás
João Tragtemberg – Acordeon em Útero

Produção Musical: Una, Aline, Hugo, Rodrigo, Iezu e Victor.
Arranjos: Rodrigo Padrão e Banda.
Técnicos de Gravação: Arthur Dossa (Estúdio Casona), Vinícius Lezo (Estúdio Base) e Banda (Estúdio 186).
Edição: Hugo Coutinho, Victor Giovanni e Una.
Mixagem e Masterização: Marcílio Moura.
Arte de Capa e Design: Moacyr Campelo
Fotografo de Capa: Chico Ludermir.

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