jasy

poezia canal às margens do rio atuba
kurytyba, pyndorama, abya yala, “2019”

telúrica
poesias y voz por ísis odara
produção musical y visual por vinícius nisi

jasy (isis odara)

corro a noite
a não iluminação dos postes
os fios elétricos
as torres de telecomunicação
as ondas em frequência ou falta
a humanidade em ponteiros
as vibrações do cimento
toda geologia embaixo
o oxigênio dos pássaros
corro a noite
pés que atravessam os passos
vácuo alojado no ventre
náusea crepuscular
corro a noite que ainda existe
sem forma
num solavanco a buceta verte um breu
que passa a se fazer no horizonte
perco a pressa em seu escuro
y sem o tempo encontrar
passo a vagar e devagar divago
pergunto ao breu pela lua
que me responde em silêncio
ela está a nascer
dentro de ti
espero então dentro
do silêncio que a noite me conta
y o breu de repente se rompe
sai de mim uma lua
incandesce estonteia acontece
sai de mim uma lua imensa a raiar
a lua nasce em ângulo exato ao ponto
em que repouso meu braço
magnética
conjunta sua mão com a minha
faz de mim seu imã
me puxa pra cirandar
dançamos sem órbita
colidimos os mundos
outro
universo
se cria

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